A percepção actual é a de que os partidos são sistemas fechados que de um modo geral agem em prol dos individuos que a eles pertencem. Como tal, uma sociedade na qual a política é agida desta forma perpetua dois tipos de interpretes: politicos desonestos e cidadãos amorfos.
Este estado de coisas resulta do que chamo o equilibrio na incompetência: os politicos são desonestos porque trabalham com uma sociedade frouxa que não participa nem discute que valores defender e os cidadãos são amorfos pois sentem-se incapazes de ter qualquer impacto na realidade política.
Esta resignação geral em relação a uma má situacao resulta na crença individual (seja do politíco ou do cidadão comum) de que todos somos perfeitos (ou irrelevantes) e de que o problema se situa sempre no outro ou no que não tem corpo - na envolvente, na conjuntura, etc, o quer que lhe queiramos chamar.
Como tal, para manter essa inaccao teremos de nos manter infantis, deixando que outros resolvam/pensem a sociedade por nós.
Ora, é chegando a este ponto que se torna necessário perguntar:
O que pode ser um partido político?
Um partido politico pode ser um espaço. Uma arena para discussão de valores e acções. A ideia vigente de que se perde a independência ou a seriedade ao se entrar num partido é tão falsa quanto ilusória. É a premissa que grande parte de nos usa para uma inação que se maioritária nos levará a uma sociedade mais infeliz. Por muito apolitíco que este termo - felicidade - pareça, deve ser esse o objectivo maior da acção politíca. Como tal, para que uma sociedade evolua para uma melhoria de vida é fundamental que os seus cidadãos sejam críticos/auto-críticos e participativos.
É neste ponto que julgo a recente acção na política americana como um exemplo a seguir.
O que mais me impressionou nas últimas eleições americanas foi o facto institucionalizado de como dentro do mesmo partido há pluralidade no pensamento e nas propostas de acção. A comprovar, bastará lembrarmo-nos que nos primeiros debates para as Primárias Americanas, o Partido Democrata tinha 8 candidatos e o Partido Republicano 10.


Este processo mais aberto no qual os cidadãos interagem e reagem a discussões intrapartidárias promove à descoberta de um caminho e consequentemente de uma crença. A ideia de abertura e de participação (atenção) do cidadão a discussao política intrapartidaria, criou a possibilidade de alternativas até aí tidas como muito improváveis como a escolha de Barack Obama para candidato presidencial do partido democrata. A grande vitória deste processo é que o grau de crença nos agentes políticos aumentou drasticamente, elevando-se como tal o nível de felicidade (esperança) da sociedade americana. Esta ideia de que um conhecimento e participação mais aprofundados afectam positivamente a nossa felicidade/realidade é algo não alheio a Portugal. Toda a evolução em direitos civis na nossa sociedade esta assente nesse sentimento de necessidade de mudança e consequente participação.
Sera uma contribuição na acção política (leia-se, partidos políticos – existentes ou a serem criados) o que nos permitirá evoluir positivamente, cada um de nos procurando aí sim soluções reais (que não advêm de soundbytes) e que por isso mesmo contribuem para nossa felicidade e esperança.
Sera uma contribuição na acção política (leia-se, partidos políticos – existentes ou a serem criados) o que nos permitirá evoluir positivamente, cada um de nos procurando aí sim soluções reais (que não advêm de soundbytes) e que por isso mesmo contribuem para nossa felicidade e esperança.

Cidadãos “politicamente activos” (o q n significa afiliados) -> faz 1 pequeno exercício mental:
ResponderExcluir- conta o número de pessoas às quais mandaste o link p este blog (1) (e considera q é um segmento da sociedade: pessoas maioritariamente de uma determinada faixa etária e com um certo nível de instrução);
- subtrai as que nem se deram ao trabalho de seguir o link;
- subtrai as que começaram a ler e imediatamente pensaram “Bolas, politica, q seca! O blog antigo era mto mais fixe!”, voltando p a sua novela da TVI/ jogo da bola;
- subtrai as q leram mas n comentaram;
- por fim, subtrai as q comentaram apenas p te dar os parabéns pelo blog;
- usa o número obtido – pessoas q comentaram efectivamente o conteúdo dos teus posts – e a respectiva proporção relativa a (1), e infere para a população nacional!!!!!
Pode n ser mto correcto do ponto de vista estatístico (e, claro está, o blog ainda é recente e sem grande controvérsia, até agora) mas, de certo modo, confirma a ideia de “cidadãos amorfos”. Pena, sim, mas n sei se a solução passa por aderir a um partido político... um espaço para a “discussão de valores e acções” pode ser qualquer um desde que exista interesse e motivação. Infelizmente, longe vão os tempos da Grécia antiga (origem dos partidos políticos) em que os “partidários” seguiam uma ideologia. Os partidos actuais, enquanto colectividades organizadas, regem-se por normas e, de modo algum, um afiliado é “independente”. A distância cidadãos-politica é, de facto, um círculo vicioso. Como quebrá-lo? Não tenho a certeza, mas acredito que a solução pode incluir blogs como este!
Just my 2 cents. Continua.